A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) fará parte de um grupo de trabalho que vai atuar, ao lado do governo, sobre temas relacionados à Previdência Social. A decisão foi tomada ontem (16.05) durante encontro com o presidente interino, Michel Temer. 

“As centrais e o próprio governo colocaram as suas posições no sentido de construir um espaço de diálogo. Que nesse espaço a gente possa, com toda tranquilidade, clareza e transparência, discutir essas questões”, diz o presidente da CSB, Antônio Neto. 

O Sindicato dos Oficiais de Justiça e Avaliadores de Mato Grosso (Sindojus/MT) é filiado a CSB. Conforme Antônio Neto, cada central sindical indicará dois representantes para participação no grupo, que também terá membros dos ministérios da Casa Civil, da Fazenda e do Trabalho. 

A coordenação será feita pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. A primeira reunião da equipe deverá ocorrer já na próxima quarta-feira (18.05), às 9h.

Para o presidente da CSB, a criação do grupo de trabalho permitirá além da coleta de dados, que as centrais apresentem as suas propostas para a Previdência. 

“Nós sabemos que o momento é muito difícil, mas, tendo transparência na informação, nos dados, e acima de tudo querendo fazer uma boa conversa, dá para a gente mostrar onde é que estão os verdadeiros ralos da República”, salienta.

Sobre a manutenção dos direitos previdenciários que já estão garantidos pelos trabalhadores e que foram consolidados ao longo dos anos –posição que é defendida pela CSB–, Neto ressaltou que o próprio presidente interino afirmou que não haverá retrocessos.

“O presidente Michel abriu a reunião dizendo: ‘todos sabem, eu tenho repetido, nós não vamos mexer em direitos’. Ele não só abriu, como fechou a reunião dizendo a mesma coisa”, completa Antonio Neto.

Sem idade mínima


Em entrevista à imprensa em Brasília, o presidente da CSB afirmou que não acha necessária uma mudança que estabeleça a fixação de idade mínima para a aposentadoria. Para ele, há uma distorção sobre o déficit previdenciário, que é provocado pela aposentadoria rural, enquanto a aposentadoria urbana é superavitária. “Não acho necessário [uma reforma da Previdência] agora, ela tem sido superavitária nos últimos tempos, mesmo com a DRU [Desvinculação das Receitas da União]”, diz Neto.

De acordo com o dirigente, é preciso discutir como fazer com que as empresas que estão devendo para a Previdência paguem suas dívidas e discutir outras formas de arrecadação. Ele critica a fórmula progressiva 85/95 que foi aprovada. “Já foi feita a maldade, em 2026 ninguém mais se aposenta nem o homem com menos de 65 anos nem a mulher com menos de 60 anos”, afirma.

Antônio Neto afirmou também que, antes de discutir reforma da Previdência, é preciso avaliar outras questões, como a desoneração de empresas exportadoras do agronegócio. “Alguns dizem que não querem pagar o pato, e nós não queremos pagar a conta”, diz.

Fonte: CSB