Sem água e comida, a oficial de Justiça que ficou desaparecida por dois dias e meio no Tocantins, teve que improvisar e encontrar meios para sobreviver na mata. Rossana Tomei Daher, 55 anos, contou, em entrevista à TV Anhanguera, que passou até urina no corpo para hidratar a pele. "Eu não queria morrer e aprendi muita coisa", revelou.

A oficial de Justiça desapareceu no domingo (21.02), quando saiu de casa para cumprir um mandado judicial na zona rural de Porto Nacional. No caminho, a mulher se perdeu. Ela saiu da estrada e bateu o carro em um barranco. O veículo caiu em uma vala.

Rossana foi encontrada na terça-feira (23) a 600 metros do local do acidente, perto do terminal multimodal da Ferrovia Norte-Sul, sentido Porto Nacional, por funcionários.

Acidente

Após cair na vala, Rossana saiu do carro e andou para procurar ajuda. Ela disse que por ter problemas nas pernas, precisou rastejar, na maior parte das vezes.
"Andei pouco, arrastei mais. Porque eu não tenho força na minha perna direita, nem no meu braço. 

Eu tenho artrose. Então quando eu tentava ficar em pé, ela [a perna] perdia o comando, aí eu caía. O jeito foi me arrastar."

A oficial disse ainda que ficou quase todo o tempo debaixo do sol. O medo era sair para procurar sombra e não ser achada tendo em vista a quantidade de árvores e mato na região.

"Se eu ficasse no mato e na sombra, eles nunca iriam me achar e também por medo de cobra e onça."

Sobrevivência

Totalmente isolada e debaixo do sol forte, sem água e nem comida, Rossana sentiu o desespero da luta pela sobrevivência.

"O gado come o mato porque também tem a água. Aí eu peguei a dentadura e comecei a fazer buraco porque era muita pedra e quando eu deitava eu sentia o frescor da água. No capim, eu via as gotinhas de água. Eu tirava e molhava a boca. Eu fazia xixi e passava no corpo."

Quando a noite chegava, ela buscava abrigo nos trilhos da Ferrovia Norte-Sul.

"Era quente. Tinham as pedras grandes e o trilho. Eu pulei para dentro do trilho e me abracei no ferro porque ali eu sentia a quentura. Quando amanheceu eu vi duas porteiras, aí me arrastei. Cheguei na porteira e gritei: 'Socorro!'. Eu vi um monte de gado. Abri a porteira e pensei: 'Quer ver como o dono do gado aparece rápido'. Soltei o gado todinho."

Momentos depois, Rossana foi socorrida por funcionários da ferrovia.

"Chegou uma caminhonete branca e um monte de rapazes. Eu olhei para eles e falei: 'Pelo amor de Deus não me deixe aqui'. Eles falaram: 'Calma, nós vamos pedir autorização para salvar a senhora'. Aí eu pedi água. Eles puseram uns cinco litros de água. Eu fui bebendo e não parava."

G1/TO