A juíza Antônia Siqueira Gonçalves Rodrigues foi eleita a nova desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMM), pelo critério de merecimento, na sessão extraordinária administrativa do Tribunal Pleno realizada na manhã desta sexta-feira (4 de dezembro).

Ao todo, 13 juízes concorreram à vaga aberta com a aposentadoria do desembargador Adilson Polegato de Freitas, que deixou a Corte no dia 2 de julho de 2015. Esta é a terceira vez que ela é candidata à vaga de desembargador.
 Acompanhada de duas das três filhas, a magistrada acompanhou a votação no auditório do Pleno. A cada nota proferida pelos desembargadores as mãos se entrelaçavam com as filhas.

Ao final, com o anúncio feito pelo presidente da Corte, desembargador Paulo da Cunha, vieram as lágrimas de emoção. Com as mãos unidas, a magistrada fez um gesto de agradecimento a Deus. Aplausos e muitos abraços fraternos tomaram conta do plenário.

“Eu estou transbordando de alegria. Estou extremamente gratificada. Eu quero partilhar essa vitória com a minha equipe, minhas filhas, minha família, meus irmãos, com todos os amigos que torceram por mim. Quero agradecer aos desembargadores que votaram, que me escolheram, quero ser digna desta confiança e a minha gratidão imensa, como sempre, a Deus, por me permitir este momento”, destacou a magistrada, sem conseguir conter a emoção.

Dos 13 candidatos que tiveram a inscrição deferida pelo Tribunal Pleno, os três primeiros colocados foram os magistrados: Antônia Siqueira Gonçalves Rodrigues (1º lugar), Helena Maria Bezerra Ramos (2º lugar) e Mário Roberto Kono de Oliveira (3º lugar).

Os desafios ao assumir este novo cargo ela diz que serão muitos, mas acredita que “com fé em Deus e com a mesma têmpera enfrentaremos de cabeça erguida e com muita fé”.A magistrada é a 9ª mulher entre os 30 desembargadores que compõem o atual Tribunal Pleno. “Que orgulho, mais uma mulher. Logo, se Deus quiser, completaremos um terço. Sou mãe de três mulheres, sou mulher com muito orgulho isso é mais um ponto que me deixa ainda mais feliz”.

E qual a emoção de ser escolhida por merecimento? “É um orgulho, porque a gente sabe o quanto é difícil, fomos 13 candidatos, todos com igual competência, todos se esmerando. É tão difícil para nós que somos candidatos quanto para os desembargadores escolherem, principalmente com relação aos critérios objetivos e subjetivos que eles têm que analisar, que são muitos. Já foi uma vitória entrar pela primeira vez na lista, a segunda vez e agora a terceira vez como a mais votada. É só alegria e gratidão a Deus e a todos que me escolherem e acreditaram em mim”.

Com 60 anos, completados no dia 24 de novembro, a magistrada, que era servidora, tem 29 anos de Judiciário e 24 de magistratura. A primeira comarca em que atuou, em 1992, foi a de Rosário Oeste, onde ficou por cinco anos. Em seguida foi para a Comarca de Jaciara, posteriormente para Cáceres e depois para Várzea Grande, onde atuou em Vara Criminal por 14 anos. Há dois anos foi removida para Cuiabá, onde atualmente ocupa a Terceira Vara da Fazenda Pública.

Se pudesse voltar no tempo e escolher a profissão que iria trabalhar, ela diz que com certeza seria magistrada outra vez. “Eu queria a magistratura desde a época da faculdade. Sinto orgulho imenso e satisfação de todo o caminho que trilhei para chegar até aqui, porque quando a gente faz aquilo que gosta, com amor, não é sacrifício. Eu lembro quantas noites eu virei trabalhando e no outro dia eu acordava disposta para ir ao serviço trabalhar, sentindo mais que tudo a leveza da consciência tranquila, de estar cumprindo bem o meu papel”.

A magistrada conta ainda que conciliar a profissão com o lado mãe não foi fácil, pois ela teve que deixar as filhas para ir trabalhar no interior do Estado. “Uma tinha nove, outra 12 e outra 14 anos. Fiquei longe delas por sete anos. Isso não é fácil passar. Elas também abriram mão de mim. Hoje eu tento de todas as maneiras compensar esta ausência e ter elas aqui junto comigo”.

Se valeu a pena? “Muito. Faria tudo outra vez. Na vida, para a gente realizar alguns sonhos, é preciso sacrificar outros. Tem que fazer a opção e eu não me arrependo de nenhuma opção que eu fiz”.

TJ/MT
Foto:TJ/MT