Um advogado e um policial militar aposentado foram presos acusados de corrupção ativa, falsidade ideologia e formação de quadrilha, praticados em Vila Rica (1.259 km a nordeste da Capital). Eles teriam tentado subornar um oficial de Justiça, que deveria cumprir uma diligência em uma fazenda do município. Segundo a Polícia Civil, responsável pelas prisões, foram detidos o advogado, Galeno Chaves da Costa, e o cabo da PM, Marcos Cunha Souza.

Os dois tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos nesta quinta-feira (03.07), depois que ofereceram R$ 65 mil para um oficial de justiça retardasse o cumprimento de mandado de constatação, expedido pela Vara Agrária de Cuiabá, em uma fazenda, no município de Vila Rica. As prisões contaram com apoio operacional da Polícia Militar de Vila Rica.

Segundo as investigações conduzidas pelo delegado João Biffe Junior, no dia 3 de junho de 2014 , por volta das 12h40, o oficial de justiça foi procurado pelo policial aposentado Marcos Cunha Souza, conhecido por "Cabo Cunha", por ordem do advogado Galeno Chaves, para adiar o cumprimento do mandado de constatação de posse na Fazenda Elagro, para que ganhassem tempo na negociação da compra da propriedade rural.

O delegado João Biffe informou que a proposta foi feita dentro do Fórum da comarca e novamente confirmada no dia 5 de junho. Desta vez pelo próprio advogado, que em outros dois momentos diferente procurou o oficial para que aceitasse a propina.

Conforme o delegado, a vantagem indevida ao funcionário público foi comprovada por meio de vídeo, que mostra claramente o advogado oferecendo o dinheiro. Nesta quinta-feira (03), a proposta foi aumentada para R$ 100 mil, agora para que a determinação judicial fosse cumprida na fazenda imediatamente, uma vez que todos os posseiros estavam na área e assim fosse constatada a posse da terra. "Ele tinha conseguido reunir todo mundo para mostrar a ocupação da área, o que é tudo uma farsa", disse Biffe.

Segundo as investigações, os posseiros da área são moradores de Vila Rica e de Confresa, e não residem na fazenda Elagro. A entrada da fazenda também era vigiada por pistoleiros armados e as estradas mantidas sobre vigilância constante de pessoas armadas com revólveres, pistolas e armas longas.

Para impedir o cumprimento da ordem judicial, os posseiros chegaram a queimar a ponte de acesso à propriedade, como forma de impedir a entrada do oficial de Justiça, e também a travessia do ônibus escolar pela localidade, chegando a ameaçar o motorista e alunos que estavam no veículo.

Um segundo inquérito policial, instaurado em 2013, apura crimes de falsidade ideológica e formação de quadrilha, os quais segundo os autos, no dia 8 de novembro passado, dezenas de supostos posseiros compareceram a audiência de justificação no Fórum local, na qualidade de requeridos da área.

A Justiça determinou investigação para apuração dos fatos e ficou constatado a "existência de uma organização criminosa, destinada a grilagem de terras na região".

Conforme a Polícia Civil, o esquema consiste em encontrar uma área, que pertence a vários herdeiros, preferencialmente com problemas na cadeia de matrículas e invadem a área. Depois dividem entre os membros do movimento, sob alegação de cumprimento da função social da propriedade. "Mas na verdade o objetivo é indenizar os invasores ou vender a área para um terceiro, que ao adquirir já negocia a indenização para saída dos invasores. São possuidores, que na verdade não permanecem na área", explicou o delegado. (Com assessoria).

Fonte: A Gazeta
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